Dia Internacional do Abutre

abutre
Categoria
Datas comemorativas
Data
2020-09-05

Grifos (Gyps fulvus)

 

Anualmente, no primeiro sábado de setembro, celebra-se o Dia Internacional do Abutre, com o objetivo de consciencializar para a importância ecológica deste grupo de espécies e para as ameaças que estas enfrentam.

Em Portugal nidificam 3 espécies de abutres: o abutre-do-Egipto, ou britango (Neopron percnopterus), o grifo (Gyps fulvus) e o abutre-preto (Aegypius monachus). Além destas 3 espécies, podem ser vistos ocasionalmente o grifo-de-rüppell (Gyps ruppellii) e o quebra-ossos (Gypaetus barbatus), estes últimos provenientes das populações espanholas, e fazendo apenas breves passagens pelo território nacional. Porém, no passado, o quebra-ossos também residiu em território português, existindo registos fósseis em várias jazidas, uma das quais referente ao período Neolítico, no Penedo do Lexim, em Mafra. O último registo da espécie em Portugal, antes do seu ressurgimento ocasional, a partir de 2011, remonta ao século XIX (1888), quando o Rei D. Carlos I abateu dois exemplares a tiro, no Guadiana.

Os abutres são aves maioritariamente necrófagas, que percorrem grandes distâncias, aproveitando as correntes térmicas, em busca de carcaças de animais selvagens (como veado, gamo, corço e javali, entre outros) e domésticos (como bovinos, caprinos, ovinos e equinos).

Cada uma das espécies possui preferências alimentares distintas: o abutre-preto prefere as partes mais duras, como a pele, tendões e músculo; o grifo partes intermédias, como o músculo e vísceras; o abutre-do-Egipto, mais pequeno, alimenta-se dos restos deixados pelas espécies maiores, mas também de larvas de insetos, répteis e coelhos; por fim, nos locais onde ainda ocorre, o quebra-ossos, como o nome indica, alimenta-se dos ossos.

 

Grifos a alimentar-se de uma carcaça de ovelha, Alentejo

 

Assim, conjuntamente, as quatro espécies ibéricas prestam um serviço de higienização dos ecossistemas, ao eliminarem rapidamente as carcaças de animais do terreno, reciclando os nutrientes e prevenindo a disseminação de doenças.

Devido à BSE, ou doença das vacas loucas, surgiram normas sanitárias que proibiram o abandono das carcaças de gado no terreno, sendo obrigatório o seu encaminhamento para a inceneração. Essa situação levou a uma grande diminuição da disponibilidade alimentar para as espécies de abutres, sobretudo em locais onde as espécies de ungulados selvagens eram mais escassas e os abutres dependiam de carcaças de gado.

Esta redução da disponibilidade de alimento, juntamente com a perda de habitat e com outras ameaças provocadas pela perseguição direta de espécies consideradas “daninhas”, através do uso de iscos envenenados e do abate a tiro (práticas atualmente consideradas ilegais, mas incentivadas pelo Estado até aos anos 70 do século XX), ou pela morte acidental devido à colisão e eletrocussão em linhas elétricas, e à intoxicação por medicamentos de uso veterinário (como o Diclofnac) e pesticidas, fez diminuir drasticamente as populações destas espécies de abutres: o abutre-preto esteve Extinto como reprodutor em Portugal durante 40 anos, tendo voltado a nidificar com sucesso pela primeira vez em 2010, fruto de projetos de conservação, e estando classificado a nível nacional como “Criticamente em Perigo”; o abutre-do-Egipto está classificado como “Em Perigo”; o grifo está classificado como “Quase Ameaçado” em Portugal, embora globalmente seja considerado “Pouco Preocupante”.

Devido à criação de uma rede de alimentadores artificiais para aves necrófagas (locais vedados e certificados, onde é autorizada a colocação de cadáveres de animais, cumprindo todas as normas sanitárias), à criação de legislação com vista a proteger estas e outras espécies selvagens e a vários programas de conservação, as populações de abutres têm vindo a recuperar em Portugal e noutros países da Europa, embora haja ainda muito trabalho pela frente.

 

Abutre-do-Egipto no alimentador artificial de aves necrófagas da Reserva da Faia Brava, Vale do Côa.

 
 

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  • 2020-09-05