Sabia que o mar está ameaçado pelo plástico?

Ninguém pode ficar indiferente com as imagens alarmantes da quantidade de resíduos existentes nos oceanos. Se refletirmos um pouco sobre o impacto do plástico nas nossas vidas chegaríamos a grandes contradições.

Por um lado, se já existisse o plástico no séc. XVI, por exemplo, quando Portugal explorou os oceanos e iniciou várias rotas comerciais, teria sido muito mais fácil manter a saúde e evitar milhares de mortes nas tripulações que permaneciam nos barcos durante longos meses, teria existido a possibilidade de se transportarem garrafas de água potável com validade alargada e máquinas mais leves que não sobrecarregariam os navios, enfim, a vida da população na altura teria sido muito mais facilitada.

Por outro lado, se nesse mesmo século tivesse existido o plástico, ainda estaríamos a conviver com os resíduos produzidos nessa época, passado vários séculos.

O plástico foi inventado no final do século XIX, mas a sua produção em massa só se iniciou cerca de 50 anos mais tarde. Durante décadas convivemos pacificamente com o plástico e foi graças a esse material que a qualidade de vida da população melhorou, tornando-se num grande impulsionador das sociedades modernas.

Nos últimos 10 anos foi produzido mais plástico do que nos 100 anos anteriores. Por minuto utilizam-se no mundo, com inúmeras utilizações, 1 milhão de sacos de plástico leve, um dos resíduos mais presentes nos oceanos, são usados por uma média de 25 minutos e vão parar a aterro ou acabam no chão, mas demoram mais de 400 anos a decompor-se. Durante esse tempo provocam danos em terra e no mar, asfixiam e envenenam animais provocando a sua morte. No entanto, no seu trajeto podem inclusive entrar na cadeia alimentar humana, afinal 80% do lixo marinho é plástico.

Neste caso, o facto de não se verem não significa que o problema se encontre resolvido, muito pelo contrário, verificamos que o plástico diminui o seu tamanho, assumindo a designação comum de “microplásticos”. Significa apenas que estamos a enfrentar um problema que está presente em todos os lugares, embora muitas vezes não seja visível.

O plástico está presente em tudo nas nossas vidas, desde as roupas, ao computador e telemóvel que usamos, à cadeira onde nos sentamos, o chão que pisamos ou os artigos de higiene que utilizamos, quase tudo é feito com recurso ao plástico.

O facto de se promoverem iniciativas quer a nível individual quer a nível empresarial, é um passo na direção correta para resolver o problema. Ninguém consegue resolver este problema individualmente, este é um problema global que exige a participação de todos porque a sua resolução significa melhor qualidade de vida e mais saúde.

Cabe a todos modificarmos os nossos hábitos e comportamentos, optarmos por materiais mais duráveis que permitam a sua reutilização, permitindo que esses materiais completem o seu ciclo de vida útil.


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